Oclusão e ATM

Por favor responda às seguintes perguntas:
- Aperta ou range os dentes?
- Quando acorda sente os músculos da mandíbula doridos?
- Tem dor na mandíbula, à volta, ou no próprio ouvido?
- Sente dor ao abrir a boca , falar, comer ou mastigar?
- Sente barulho ou zumbido na articulação ao abrir e/ou fechar a boca?
- Nota que não pode abrir e/ou fechar completamente a boca e que, ao tentá-lo dói?
- Nota os dentes sensíveis e/ou desgastados?
- Sofre de dores de cabeça e /ou pescoço frequentemente?
- Tem dificuldade em adormecer?
- Sofreu algum traumatismo na mandíbula ou tem artrite ou antecedentes?
- Sente dor na face ou nos dentes não explicados por outras especialidades?
Quantas mais vezes tenha respondido SIM, o mais provável é que padeça de disfunção temporo-mandibular.
É um termo que abrange um grande espectro de problemas clínicos da articulação e dos músculos da área orofacial. Estas disfunções são caracterizadas principalmente por dor, sons na articulação e/ou função irregular ou limitada da mandíbula.
Pesquisas epidemiológicas têm demonstrado um aumento da prevalência de sinais e sintomas de DTM que ,muitas vezes, são interpretados pelo paciente como tendo origem noutras áreas.
É de origem multifactorial.
Atualmente consideram-se 3 grupos principais de fatores etiológicos, o anatómico (oclusão e articulações), o neuromuscular e o psicológico. Neste Síndrome podem estar alterados os componentes do sistema mastigatório:
- Os músculos que fornecem a força necessária para mastigar, deglutir, falar... ante uma contração exagerada devido a stress ou outras alterações, tornam-se rígidos e dolorosos podendo manifestar-se como cefaleia ou cervicalgia.
- Os dentes transmitem a força muscular e com uma engrenagem adequada assegurar uma boa função. A sua ausência ou má posição pode provocar por vezes disfunção.
- Também podemos encontrar patologia da articulação como lesão primária ou consequência das alterações anteriores.
Mas é necessário avaliar os possíveis fatores predisponentes (saúde geral, psicológica e estrutural), fatores precipitantes (normalmente envolvem traumatismo, sobrecarga ou parafunções) e fatores perpetuantes (problemas comportamentais, sociais e emocionais).
O diagnóstico da DTM fundamenta-se principalmente na avaliação clínica e exame físico, complementadas pelos exames de imagem. Importa salientar que a etiologia é multifactorial e a intervenção multidisciplinar, cabendo a cada profissional da equipa fazer o diagnóstico referente à sua área de atuação. A fisioterapia pode trazer alívio nas condições sintomatológicas do paciente e restabelecer a função normal da articulação temporomandibular.
O tratamento torna-se mais difícil quanto mais crónica for a disfunção, o nosso conselho é consultar um especialista mal note os primeiros sintomas.
A base do tratamento é restabelecer o equilíbrio entre os distintos componentes do sistema mastigatório.
Para isso utilizamos distintas técnicas:
- A maior parte dos pacientes necessitam o uso de férula ou goteira interoclusal.
- O que são as férulas?
São aparelhos que se interpõem entre os dentes e são capazes de redistribuir as forças entre os elementos do sistema, de acordo com um desenho personalizado. É fundamental que o paciente com férula não falte às consultas para ser devidamente acompanhado durante a terapia. Deve ser reajustada em cada consulta, caso contrário não produz benefício algum, podendo até ser prejudicial. - Ortodontia: resolve más posições dentárias que originam problemas oclusais.
- Reconstruções protéticas, conservadoras com materiais adesivos, próteses fixas e/ ou técnicas cirúrgicas como implantes.
Devido à sua causa multifatorial o tratamento deverá ser multidisciplinar, por isso,às vezes, é necessário reencaminhar o doente para outras especialidades, nomeadamente psicologia, psiquiatria, fisioterapia e neurologia.